sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Curta Metragem - A Mente Masculina

Curta escrito e dirigido por mim. Uma comédia onde eu atuei juntamente com Marcela, uma grande amiga e parceira de trabalhos. O responsável pelas filmagens foi o Rogério (dos Cachorrões).
Espero que gostem!
Não se esqueçam de comentar e de seguir o blog!http://www.youtube.com/watch?v=DUeBpw_6L14

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Chamada Cachorrões

Depois de um bom tempo sem postar nenhum vídeo, gravamos um sinal de vida dos cachorrões anunciando a nova temporada que estréia nas próximas semanas.
http://www.youtube.com/watch?v=sqNaiS9_EA4

assistam e comentem!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Conto de Terror - O Velho Abutre

Conto de Terror
O Velho Abutre
            Naquela cidadezinha de interior, havia um velho casarão cercado por várias arvores mortas e ressecadas que lembravam esfarrapados espantalhos. Aparentemente o único morador da casa era o Velho Abutre. Seu nome verdadeiro não era conhecido por ninguém e o apelido veio graças a sua estranha semelhança ao animal. Era um senhor de idade, ranzinza e taciturno, curvado pelo peso de uma grande corcunda. Possuía olhos esbugalhados e cinzentos cujas olheiras acentuavam um olhar sombrio e mórbido, seu nariz era incrivelmente grande e envergado para baixo como uma espécie de meia lua, a boca tinha lábios finos e esquálidos, não possuía cabelos, apenas uma careca enrugada e com algumas manchas avermelhadas. Suas mãos possuíam dedos ossudos e pontudos e sua pele era extremamente pálida.
Era fato que nenhum morador tinha coragem de falar com ele e os olhares frios e severos que o velho lançava sobre todos aqueles que cruzassem seu caminho os desencorajava ainda mais a estabelecer qualquer tipo de relacionamento com aquela figura sombria e suspeita. Vivia sozinho naquele grande casarão e muitos diziam que era louco, uma vez que muitas vezes, quando se passasse por perto da casa, podia-se ouvir o som de vozes, conversas e segundo alguns relatos, até gritos. Porque o velho gostava de falar sozinho era um mistério, mas os mais supersticiosos, diziam que ele era amaldiçoado e falava com espíritos do além. A única coisa que ele fazia regularmente, além de fazer compras no mercado local, era sair com sua velha Caravan cor de bronze e dirigir até a cidade grande, provavelmente para comprar mantimentos que não podiam ser encontrados ali, o detalhe era que ele costumava fazer essas viagens nas horas mais inusitadas, inclusive de madrugada.
Certa noite, ele cumpria essa tarefa rotineira e saía da garagem com sua Caravan, para depois pegar estrada e desaparecer na névoa noturna. Porém, algo que o Velho Abutre não imaginava era o fato de dois adolescentes, Roberto e Carla, estarem observando-o de longe, com um binóculo, enquanto ele se distanciava da casa.
− Você tem certeza disso? – disse Carla, evidentemente assustada.
− É claro que eu tenho, é assim que funciona o Jogo do Desafio! – responde o rapaz – Nós dois fomos desafiados a entrar na casa do Velho Abutre e fotografar seu interior para mostrar pras pessoas o local onde ele vive!
Mesmo sentindo-se nem um pouco a vontade, Carla começa a seguir Roberto quando este começa a se aproximar da casa. Finalmente os dois se encontram diante do casarão e Carla olha com desconfiança para as arvores mortas ao redor. Roberto atravessa uma estreita janela que estava parcialmente aberta e depois acena para que a garota o siga. Ela então o faz, porém, sofre um pequeno rasgo na calça durante a empreitada.
− Argh! – ela exclama – Me cortei!
Roberto olha para o corte no tecido e percebe que um pequeno filete de sangue começava a escorrer de um corte na perna dela.
− Hmm. Você vai sobreviver!
Os dois então continuam sua jornada e começam a caminhar pela velha casa. Nunca a haviam imaginado daquela forma, era certo que havia muitas goteiras no teto, uma vez que ainda dava pra ver as poças da chuva do dia anterior figurando no chão, assim como a quantidade excessiva de bolor que consumia as paredes. Nos moveis e nos cantos da casa, teias de aranha se espalhavam como tapeçarias da decoração de algum tipo de decorador macabro. Os dois sentem seus corações quase pararem quando um ruído ecoa subitamente, o som da Caravan contornando a casa e dirigindo-se para a garagem. O velho Abutre estava voltando para casa.
− Mas como? – disse Carla – Ele só devia voltar daqui a algumas horas!
Roberto nada diz, apenas se aproxima velozmente da garota e tapa sua boca com uma das mãos, depois sussurra em seu ouvido.
− Psst! Faça silêncio!
Dito isso, os dois olham ao redor e encontram sua salvação, uma grande e pesada cortina de cor verde desbotada. Rapidamente, os dois se esgueiram e se escondem atrás da cortina, porém, ao movê-la mesmo que apenas um pouquinho, levantam uma nuvem de pó. Roberto tapa as narinas de Carla com o dedo, impedindo um espirro. Após alguns minutos, uma porta se abre com um rangido e surge o Velho Abutre. O velho caminhava de forma ligeira, mais rápido do que sua aparência frágil e senil denunciava. Em seu rosto enrugado, uma imagem inédita surgiu diante da dupla que observava de trás da cortina, o velho estava sorrindo. Não era um sorriso daqueles que as pessoas chamam de ‘sorriso de orelha a orelha’ mas era um sorriso e nunca em suas vidas eles o haviam visto sorrindo, aliás, provavelmente ninguém da cidade o vira sorrindo antes. O velho passa apressado a poucos centímetros da cortina e não percebe a dupla escondida, dirigindo-se rumo a escada e desaparecendo da vista deles. Imediatamente, Roberto segura fortemente na mão de Carla e sussurra.
− Vamos!
Sem dizer mais nenhuma palavra, o rapaz irrompe pela sala de estar onde se encontravam e se dirige para a porta, porém, quando sua mão toca a maçaneta, percebe que ela esta trancada.
− Para quê a pressa, meus caros? – uma voz ecoa subitamente, atrás deles.
Quando os dois olham para trás, vêem o Velho Abutre os encarando com um fogo brilhando nos olhos maquiavélicos e perversos.
− Me desculpe senhor! – diz Roberto, gaguejando – Nós só entramos por que...
O rapaz olha em volta para tentar pensar em algo para falar que amenize a situação.
− É que nós estamos fazendo um trabalho de escola e precisávamos estudar casas antigas como essa sua e, como o senhor não estava, resolvemos entrar e admirá-la por dentro! Espero que não se importe!
− Na verdade, não me importo vermezinhos! – diz o Velho Abutre – Muito me agrada a visita de vocês!
Roberto engole em seco, mas após sentir um apertão no braço dado por Carla, ele consegue coragem para falar mais.
− Gostou é? Que pena, pois já estamos de saída!
O Velho Abutre então os encara com uma expressão amedrontadora.
− Sinto muito meu jovem, mas vocês nunca vão sair daqui!
Dizendo essas palavras, o velho começa a se aproximar deles. Porém, nesse minuto, Roberto se lembra de que estava diante de um homem de idade avançada e ele, sendo praticante de futebol e basquete na escola, era um esportista nato e provavelmente conseguiria facilmente sobrepujá-lo em uma luta. Então, revigorado com nova coragem e energia, Roberto começa a avançar na direção de Velho Abutre com os punhos erguidos.
− Aé tiozão? Essa eu quero ver, o senhor tentando nos impedir! Vamos ver se que vai continuar ameaçando após eu te cobrir de porrada!
Carla morde os lábios de medo ao ver Roberto se aproximar do velho. O rapaz se move rápido e desfere um soco, atingindo o Velho Abutre direto no rosto. O velho apenas sorri. Então, o Velho Abutre agarra os dois antebraços de Roberto. O rapaz tenta com todas as suas forças, se desvencilhar daquelas mãos esquálidas, porém, elas demonstram uma força descomunal, imobilizando-o. Em seguida, O velho gira os antebraços do garoto até que seus braços sejam quebrados em um estalo seco. Roberto urra de dor e o Abutre não para de girá-los, provocando fraturas expostas, os ossos de Roberto emergindo de seus cotovelos ensanguentados.
Ao presenciar aquela cena grotesca, Carla grita e dispara correndo por um corredor qualquer até que finalmente se depara com uma porta e a abre. Qual a sua surpresa ao se deparar com a garagem onde estava estacionada a Caravan cor de bronze e logo percebe que o automóvel estava com o porta malas aberto. Ao arriscar uma olhadela para dentro do porta malas, Carla se arrepia inteira, pois se depara com algo que não esperava encontrar. Deitada no porta malas havia uma garota de provavelmente 18 anos, 3 a mais do que Carla, e estava inconsciente, com um lenço sobre o rosto. Mesmo trêmula dos pés a cabeça, Carla começa a se aproximar e mesmo sem tocar o lenço, sente um forte cheiro similar ao éter. Foi bem fácil deduzir o que havia acontecido com aquela jovem, provavelmente estava na estrada e encontrou a Caravan do Velho Abutre, este, por sua vez, a atacou e a fez cheirar clorofórmio, para que perdesse os sentidos. E é nesse momento que aquela voz seca e rouca a atinge como uma bala no peito.
− Ora, então, você descobriu meu segredinho não foi? – diz o Velho Abutre, encarando-a a alguns metros de distância, apoiando-se no batente da porta pela qual ela entrara na garagem.
Carla olhou em volta e percebeu que não havia saída, pois a porta da garagem havia sido trancada por um pesado cadeado. Enfim, ela encarou seu algoz e começou a gritar em plenos pulmões. O Velho Abutre então se aproximou rápido como um relâmpago e os gritos cessaram.
Os dias se passaram e Roberto, Carla e a moça que fora sequestrada na estrada nunca mais foram vistos. Quanto ao Velho Abutre, este continuou sua vida normalmente na pacata cidadezinha do interior, mantendo sua rotina caseira e saindo esporadicamente com sua Caravan cor de bronze pela estrada na direção da cidade grande.

FIM