segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CONTO DE TERROR - O Mistério da Casa no Topo da Colina

LINDSAY caminhava pela mata a noite. Ela estava enfurecida, pois há alguns minutos, havia brigado feio com seu namorado, Bruno. Há alguns minutos atrás, os dois estavam na praia que ficava ali perto, curtindo uma festa com os amigos da escola. Foi então que Bruno a conduziu para o meio das arvores, a fim de que os dois pudessem ficar a sós, sem que os olhos da turma os observassem. Por algum tempo, eles se beijaram intensamente até que as mãos do rapaz começaram a explorar o corpo da garota mais do que devia. Por três vezes, ela o afastou e o xingou, mas sempre que os dois se envolviam nos braços um do outro novamente, Bruno não se continha e tentava alguma coisa, até que em um determinado momento, ele meteu rapidamente a mão dentro do sutiã dela. Aquela fora a gota d’água e, sentindo uma mistura de raiva e constrangimento, Lindsay o empurrou com toda a sua força e o cobriu de xingamentos, além lhe dar um belo tapa na cara. Depois, ela começou a se distanciar a passos firmes mata adentro, mergulhando nas sombras enquanto os gritos de Bruno que chamavam seu nome desapareciam atrás de si. Lindsay era uma bela garota, magra, de pele branca, cabelos negros  e olhos azuis.
            Alguns metros depois, a jovem começou a sentir medo diante do cenário assustador que a cercava. A floresta parecia bastante ameaçadora durante a noite e a escuridão reinava soberana sobre ela. Súbito, uma sombra se move rapidamente acima de sua cabeça e ela solta um grito assustado. Era um morcego.
            A garota então começa a caminhar mais depressa, um vento sopra por entre as arvores e arrepia sua pele. Finalmente seu otimismo se renova quando ela se depara com uma colina não muito alta e com pequenos pontos oníricos de luz figurando em seu topo, a alguns metros adiante. Aqueles pontos de luz só podiam significar uma coisa, as luzes de uma casa. Lindsay então começa a subir a colina o mais rápido que pode, encontrando forte resistência ao atravessar os densos arbustos que se assomavam no caminho e rasgando sua calça em um espinheiro oculto pelas sombras, mas mesmo assim, consegue chegar ao topo alguns minutos depois.
            Assim como ela suspeitava, havia mesmo uma casa no topo da colina, uma bela casa que aparentava ter sido construída há pouco tempo. Ela era extremamente grande, possuía dois andares, grandes janelas de vidro espelhado e era quase toda branca, com exceção da porta de entrada, que era de madeira vernizada e da porta da garagem, que era de metal e tão larga que facilmente permitiria que dois carros entrassem em seu interior ao mesmo tempo. Uma estradinha começava na frente da casa e seguia pela mata, descendo a colina e provavelmente se ligando à estrada interestadual lá embaixo. Lindsay sacode suas roupas, removendo as folhas e os carrapichos que haviam se prendido nelas. Depois, começa a se dirigir à porta de entrada. Ela toca a campainha e aguarda cerca de 15 minutos. Depois, frustrada e certa de que não havia ninguém em casa, resolve descer a colina e tentar a sorte na interestadual, pois não voltaria à floresta naquela noite por vontade própria. Porém, antes que tivesse se afastado 10 metros da casa, a garota ouve a porta se abrir com um rangido.
            Esperançosa, Lindsay volta correndo e vê um par de olhos taciturnos observando pela fresta da porta semi-aberta. Era um indivíduo alto e esguio, de cabelos grisalhos e olhos negros afundados em escuras olheiras, sua pele era clara e ele aparentava possuir não mais de 50 anos. A jovem se aproxima e o encara com um sorriso tímido no rosto.
            − Olá senhor! – ela diz – Será que eu poderia usar seu telefone? Eu preciso muito ligar para minha mãe pra pedir pra ela vir me buscar!
            O homem então olha em volta, estudando toda a frente da casa, depois, se volta para a garota e a encara profundamente. Enfim, ele esboça um sorriso.
            − Ora, mais é claro! – ele diz, com uma voz rouca e simpática – Por favor, entre!
              Um brilho brota nos olhos azuis de Lindsay e ela adentra a casa e, assim que o faz, o homem fecha a porta e a tranca com uma chave logo em seguida.
            Uma vez dentro da casa, a garota começa a observar a grande sala de estar, que era extremamente bem organizada e limpa, além de finamente decorada e mobiliada. Havia dois grandes sofás de cor azul metálico diante de uma grande e delgada estante de madeira com partes de vidro, onde ficavam alguns livros e objetos decorativos. Um fino tapete vermelho decorado com arabescos dourados ornamentava o chão e, em cima dele, no centro do aposento, um criado-mudo servia de suporte para uma peculiar peça de metal escuro e retorcido, uma obra de arte de cunho abstrato em um estilo bem contemporâneo. O visual moderno e sofisticado ainda era ressaltado por um belo lustre de vidro que figurava no teto e de onde vinha a principal fonte de luz do aposento.
            − A propósito, eu sou o Doutor Thompsen! – ele diz de forma educada e cortês.
            − Meu nome é Lindsay! – responde a garota, tentando retribuir a mesma educação de seu anfitrião – O senhor é medico?
            Ele assente, balançando a cabeça e depois pigarreia e continua a falar.
            − Sou um cirurgião! O telefone esta quebrado, então vou buscar meu celular. Foi muita sorte você aparecer por aqui!
            Ela afirma com a cabeça e ele então se afasta, desaparecendo por um corredor a alguns metros de distância logo em seguida. Alguns minutos se passam e Lindsay começa a ficar entediada, então, começa a caminhar pela sala de estar, observando a decoração do local. Na estante, havia vários livros de medicina e diversos processos de cirurgia, a maior parte deles sobre transplante de órgãos. Entre dois grandes livros de capas coloridas, figurava um aparelho de telefone fixo de cor vermelha. Curiosa, ela se aproxima, pega o telefone e o coloca no ouvido, qual a sua surpresa ao ouvir o som da linha telefônica funcionando normalmente. O médico havia mentido.
            Antes que a garota possa fazer qualquer coisa, uma dor aguda arde na parte de trás de seu pescoço. Sua visão turva imediatamente, seus joelhos fraquejam e ela desaba no chão. Caída e com o rosto voltado para cima, Lindsay procura com os olhos por seu agressor até que finalmente vislumbra a figura do Doutor Thompsen a encarando com um olhar ameaçador, seus lábios finos desenhando um sorriso malicioso e a mão direita segurando uma seringa vazia, cujo conteúdo ele acabara de injetar em sua corrente sanguínea e que agora lhe roubava todas as suas forças. Lindsay tenta agitar seus braços, ela fora envenenada e temia o que o destino reservava para ela, então, se esforça em uma fuga alucinada e desesperada, tentando se arrastar pelo chão, porém, em questão de segundos, o mundo diante de seus olhos é engolfado pela escuridão completa e sua cabeça tomba inerte no tapete vermelho.
            Quanto tempo havia ficado inconsciente, Lindsay era incapaz de adivinhar. Horas? Dias? Impossível dizer. Seus olhos ardiam como se milhares de agulhas estivessem sendo espetadas neles. A princípio, só conseguia enxergar borrões, porém, aos poucos, começava a focar as imagens. Assim que sua visão se recupera completamente, ela vê a figura do Doutor Thompsen de costas para ela, aparentemente trabalhando em alguma coisa. A garota estava deitada sobre uma mesa de cirurgia e tinha os pulsos e os tornozelos presos por tiras de couro. Ela então começa a olhar em volta e percebe que está em uma sala branca retangular com paredes e piso azulejados, havia um armário de metal, uma pia e três grandes freezers, além de uma única porta, também branca.
            Desesperada, ela força os pulsos e os pés em uma inútil tentativa de fuga. Finalmente, o doutor percebe sua agitação e se volta para ela e, nesse momento, um calafrio percorre a espinha da garota diante da imagem aterradora que surge diante de seus olhos. O Doutor Thompsen estava vestido para fazer uma cirurgia, com touca, mascara e avental brancos, este último estava repleto de sangue na região da barriga. Na mão direita, ele segurava um bisturi e na esquerda, um fígado humano. Atrás do médico, figurava um homem com os olhos fechados e sem camisa, exibindo vários cortes profundos ao longo de seu tronco, então, ela soube imediatamente de onde viera o órgão. Instintivamente, Lindsay desvia o olhar, seu estomago embrulhando.
            − Ora, mas veja só quem acordou? – diz o cirurgião em tom sarcástico – Dormiu bem?
            Lindsay o encara e seu medo se transparece em seus olhos. Ela tenta falar, mas nenhuma palavra sai de sua boca. O médico então põe o fígado em um saco plástico, identifica-o com uma etiqueta e o guarda no freezer mais próximo, depois, joga as luvas ensanguentadas no lixo e abaixa a mascara, deixando-a abaixo do queixo.
            − Não me olhe dessa forma! – ele diz, uma serenidade mortal ecoando em sua voz – Eu sou apenas um homem de negócios, eu ganho a vida suprindo as necessidades de um comércio extremamente peculiar e secreto, porém, bastante lucrativo e em constante crescimento! Eu retiro os órgãos das pessoas e os vendo no mercado negro, corações, fígados, rins e muitos outros!
            Após lavá-lo e secá-lo, o doutor põe o bisturi em uma mesinha com rodinhas e a empurra para perto da garota. Lindsay percebe que a mesinha esta repleta de instrumentos cirúrgicos.
            − Geralmente eu tenho que contar com minha dupla de empregados que viaja por todo o estado e seqüestra pessoas para que eu possa coletar as minhas mercadorias, porém, hoje fui acometido por uma grande sorte quando você apareceu batendo em minha porta. Recebi recentemente as encomendas de dois clientes necessitando urgentemente de transplantes de córneas, porém, só havia conseguido os órgãos para um cliente – nesse momento, ele lança um olhar sobre o homem que estava na outra mesa de cirurgia, suas córneas em breve seriam removidas e ensacadas – Mas, agora que você apareceu, meus problemas estão resolvidos!
            Aquelas palavras soam como martelos esmagando a cabeça de Lindsay e ela se contrai dos pés à cabeça. O doutor se aproxima e começa a acariciar a região próxima de seus olhos, seu toque é frio e desagradável.
            − Tenho que confessar uma coisa, minha querida, você tem os olhos mais belos que eu já vi. Pena que em breve eles não serão mais seus!
            Nesse momento, Lindsay desata a chorar.
            − Por favor, não faça isso! – ela implora em meio aos prantos – Eu não conto a ninguém, mas, por favor, me deixe ir!
            − Sinto muito, minha cara, mas é hora de dormir!
            E, ao dizer isso, o cirurgião pega uma ampola de um bolso do avental, a agita e introduz a agulha de uma seringa em seu interior, porém, quando começa a sugar o liquido, a campainha toca, assustando-o. Involuntariamente, o Doutor Thompsen derruba a ampola no chão e ela se parte em inúmeros caquinhos, formando instantaneamente, uma pequena poça com o liquido da anestesia que seria usada na garota. Com uma praga, ele pega um pano que estava no armário e amordaça Lindsay, depois, se dirige à porta e desaparece por ela. Desesperada, a garota começa a se debater freneticamente, tentando escapar, até que percebe que a mesinha de rodinhas esta bem ao seu lado e o bisturi a poucos centímetros de sua mão direita. Lindsay então estende a mão naquela direção e se estica o máximo que consegue, as pontas de dois de seus dedos tocando o aço cirúrgico. Com um esforço tremendo, ela consegue arrastar o bisturi com as pontas das unhas alguns centímetros em sua direção e finalmente, o agarra com a mão inteira. Imediatamente, ela começa a cerrar a tira de couro que prendia seu pulso.
            É nesse momento que ela ouve um clique e seu coração gela. A porta se abre rapidamente e o Doutor Thompsen entra por ela, dirigindo-se imediatamente para um dos freezers e o abrindo. Se tivesse olhado para a garota no momento em que entrara na sala, ele veria o bisturi em sua mão, porém, concentrado em sua tarefa, começa imediatamente a estudar o interior do freezer até que retira dele uma caixa térmica azul com uma alça branca. Antes de sair novamente pela porta, o cirurgião lança um olhar sobre Lindsay.
            − Não se preocupe minha cara, não vou demorar, só preciso despachar um cliente! – ele diz, e depois, desaparece pela porta novamente.
            A garota havia escondido o bisturi embaixo da mão e assim que o doutor deixa a sala, ela volta a cerrar a tira de couro o mais rápido que pode. Era uma árdua tarefa, mas, aos poucos, o couro começa a ceder ante o metal extremamente afiado e, alguns minutos depois, ela finalmente livra sua mão direita. Com uma mão livre, Lindsay rapidamente desafivela as tiras de couro de sua mão esquerda e de seus tornozelos. Logo em seguida, ela salta para fora da mesa e então percebe que seu corpo ainda está fraco e letárgico devido à droga que lhe fora injetada anteriormente pelo Doutor Thompsen. Com o impulso do salto, ela cambaleia pelo chão e esbarra no homem que está na outra mesa com o peito e o ventre abertos em vários lugares. Uma sensação de repulsa a invade quando ela percebe que sujou o cotovelo com o sangue do homem.
            Então, agarrando fortemente o bisturi, Lindsay se dirige à porta e a abre, deparando-se com uma escada que subia até outra porta lá em cima. Andando furtivamente, ela começa a subir a escada, o quinto degrau range sob seus pés e a garota pragueja mentalmente. Segundos depois, ela se vê diante da porta no topo da escada, então agarra a maçaneta e a abre com um clique, depois, entra em um longo corredor com varias portas e que terminava em uma de suas extremidades na sala de estar por onde ela havia entrado na casa. Dessa sala, ecoam os ruídos da conversa entre o Doutor Thompsen e de mais outro homem, ambos fora da visão da garota.
            Andando na ponta dos pés, Lindsay avança na direção da porta mais próxima e a abre lentamente. Qualquer ruído pode ser fatal. A garota então entra em um banheiro e nem estuda o interior do local, correndo diretamente para a estreita janela em formato de retângulo. Ela se espreme e consegue atravessá-la, porém, durante a empreitada, deixa cair o bisturi no piso do banheiro, emitindo um barulho metálico. Temendo ter alertado o doutor, Lindsay se joga para fora da casa de qualquer maneira, caindo desajeitadamente no chão de terra. Depois, sai em disparada colina abaixo.
            A garota corre pela floresta escura com os pés descalços, pisando em espinhos, gravetos e pedras pontiagudas. Ela agora esta vestida apenas com uma espécie de camisola clara e de um tecido extremamente fino, o vento frio a atinge como se fosse um açoite, mas mesmo assim, ela não interrompe sua jornada. Longos minutos depois, Lindsay ouve o som de um motor de automóvel ao longe e corre desesperadamente em sua direção. A floresta acaba e ela encontra a estrada interestadual, seus pés estão cheios de cortes e sangrando. Um par de faróis surge em um dos lados da estrada e a garota grita por ajuda em plenos pulmões, agitando freneticamente os braços.
            − Socorro! Por favor, me ajude!
            Uma caminhonete azul estaciona no acostamento a alguns centímetros dela e liga o pisca - alerta. Abalada pelos todos os acontecimentos da noite, Lindsay cai de joelhos e desata a chorar. Um homem alto e de cabelos castanhos, vestido com um colete vermelho e de calças jeans, sai do carro e se ajoelha ao seu lado, abraçando-a.
            − Não se preocupe, vai ficar tudo bem! – ele a consola.
            No outro dia, três viaturas da policia estão na frente da casa no topo da colina. Os policiais arrombam a porta da frente e a invadem, porém, se deparam com a casa totalmente vazia. No porão, encontram apenas um bilhete onde estava escrito:
“Meus parabéns, minha querida, você tem os olhos mais lindos que eu já vi.” 



FIM

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cachorrões 8 Fobia

Esse é o primeiro vídeo da nova temporada dos Cachorrões.
Dessa vez, nós falamos sobre Fobia.
E ainda, uma entrevista exclusiva com a professora de Psicologia Kátia Medeiros.


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